Na manhã desta quarta-feira, 02, morreu aos 83 anos em sua casa, no Rio de Janeiro, o ator e diretor Paulo Gracindo Jr.. Foram mais de 50 anos de carreira, vindo de uma geração pioneira à frente e atrás das câmeras. Deixa um legado no teatro, no cinema e na televisão.
Nascido no dia 21 de maio de 1943 no Rio de Janeiro, Epaminondas Xavier Gracindo herdou a profissão, o talento e o nome artístico do pai, Paulo Gracindo (este, nascido Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo e falecido em 1995). Ele atuou inclusive ao lado do pai na novela "O Bem-Amado" (1973), em que o patriarca vivia o icônico Odorico Paraguaçu, e o herdeiro, interpretava Jairo. Os Gracindos também já dividiram personagem, vivendo as versões jovem e madura do protagonista da novela "O Casarão" (1976), João Maciel.
Obra
Começou a atuar ainda na adolescência, na Rádio Nacional, em que fez também trabalhos em redação e sonoplastia da emissora, em que já atuava seu pai. Na televisão, Gracindo Jr. começou sua trajetória no início dos anos 60, juntamente com a própria Tv Globo.
Fez parte de alguns marcos da história da emissora, como a primeira novela das 19h, "Rosinha do Sobrado" (1965), a supracitada "O Bem-Amado", primeira novela exibida em cores na emissora, fez participações na primeira montagem global do Sítio do Picapau Amarelo, exibida entre 1977 e 1986. Atuou também em novelas na Rede Manchete, em que viveu o mocinho Antônio Sampaio em "Dona Beija (1986)", entre outros trabalhos, e na Record TV, onde participou de novelas como "Poder Paralelo (2009)", vivendo Don Caló, e "Pecado Mortal" (2013), intepretando Cebolão.
No início da década de 60, fez também seus primeiros trabalhos no teatro, participando de peças como "A Escada" (1963), sua primeira montagem, e ao longo dos anos encenou outros textos, como "Dura Lex Sed Lex" (1969), "Viva Sapata (1981)" e "Às Favas com os Escrúpulos (2007)".
No cinema, também foi deixada a marca do artista, em filmes como "As Moças Daquela Hora" (1974), "Os Trapalhões na Serra Pelada (1982)", "Bufo & Spallanzani (2001)" e "A Queda (2022)".
Como diretor, implementou os videoclipes no "Fantástico", assinou a titularidade da direção d'Os "Trapalhões (temporada de 1983)" e da novela "Marron Glacé" (1980) atuou na assistência de direção da novela "Explode Coração (1995)".
A vida ultimamente
Em seus últimos anos de vida, Gracindo Jr. vivia recluso ao lado da família. Chegou a viver no interior do Rio de Janeiro, na cidade de Visconde de Mauá, onde familiares mantêm uma pousada, mas depois voltou à capital fluminense. Era descrito como lúcido e bem-humorado pelos amigos, de quem costumava receber visitas. Uma das mais recentes foi a de seu par em "Dona Beija", Maitê Proença.
"A visita foi um encanto. Gracindo, amigo e parceiro de tantos e lindos trabalhos, está feliz! O olhar dele é cheio de vida. A gente vê que ele tem paz, tem alegria, e que demonstra afeto por todos ao redor. Obrigada, Daisy, querida, por cuidar tão BEM deste seu companheiro lindo. Ele segue elegante e gentil como sempre foi. A pele brilha e ele está saudável, apesar das curvas que o mundo deu. Parabéns. E benzadeus", legendou a mãe de Maria, citando a esposa de Gracindo, Daisy Poli.
Além da viúva, com quem estava casado há mais de 50 anos, Gracindo deixa quatro filhos (Yan, Daniela, Gabriel e Pedro) e sete netos, que se dedicam ao legado da família.
Despedida
Paulo Gracindo Jr. vai ser velado em cerimônia aberta ao público nesta quinta-feira, 03, a partir do 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, e a cremação de seu corpo acontece às 14h10.
